Rotary Maracanã – Uma Estrela Reluzente
Quando embarquei paro o treinamento dos Governadores de Rotary em Anaheim, na Califórnia, nos Estados Unidos da América, em fevereiro de 2001, levava comigo em minha bagagem o planejamento estratégico que havia sido traçado pela equipe que me deu apoio incondicional desde minha eleição como Governador do distrito mais antigo de língua portuguesa em todo o mundo, o que representava para nós uma grande responsabilidade.
Dentre as metas traçadas uma delas dizia respeito a crescer o Distrito em 10% do número de clubes, invertendo assim a tendência histórica que percebíamos de intervalos de 1 ano para a criação de novos clubes nas cidades do Rio de Janeiro, da Baixada Fluminense e de Petrópolis.
Ao retornar trazia comigo a convicção de que essa meta seria exequível, como aliás foi comprovado ao final do período. Dentre as áreas escolhidas para a expansão distrital destacava-se o bairro do Maracanã que integrava a área de abrangência do Rotary da Tijuca, o que facilitaria a adesão e participação do clube padrinho.
Nessa região contávamos com um companheiro experiente e de grande capacidade de atração de líderes para a empreender a tarefa. Era Sebastião Porto aquele que seria designado como o Representante Especial do Governador para a formação do novo clube.
Logo após sua designação formal, foram iniciadas as medidas preliminares como escolha do local para as reuniões preparatórias e o convite a lideranças locais que pudessem vir a integrar o grupo de fundadores da nova unidade.
Sabíamos que o trabalho de formação de um novo clube era árduo é desafiante, mas trazíamos a certeza de compreender que o bairro escolhido tinha um potencial extraordinário para a implantação de um novo Rotary Club, que traria em sua denominação a marca no estádio de futebol de reconhecimento mundial.
Também na região funcionavam faculdades, escolas técnicas de renome, sedes de empresas de grande porte, e organizações da sociedade civil que atuavam tradicionalmente em projetos humanitários.
Entre idas e vindas as reuniões de formação se sucediam. Num dado momento o companheiro Sebastião Porto demonstrou, em conversa pessoal, um certo desalento, o que era compreensível. Regressávamos de uma reunião noturna na residência do companheiro Luiz Osair de Medeiros, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. No trajeto Porto, que residia na avenida Maracanã, aceitando uma carona em meu carro, desabafou suas incertezas e inseguranças.
Num lampejo, alterei o trajeto que seria habitual e ao passar pelo Estádio Mário Filho resolvi dar uma volta pelas redondezas do bairro. Passei pela sede da Petrobras Distribuidora, pela Universidade Veiga de Almeida, pela mega empresa de seguro saúde, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica o CEFET, e ao longo desse trajeto eu comentava com o meu carona sobre o potencial do bairro. Rotariano hábil e experiente Sebastião Porto logo disse que prosseguiria com a tarefa que lhe havia sido designada e que ele formaria com novas lideranças o Rotary Club Maracanã.
Pronto, estava desfeito o nó, e a missão teria prosseguimento com absoluto sucesso.
Hoje, passados 24 anos de sua fundação, contando ainda em seu quadro associativo com três associados fundadores em plena atividade, o Rotary do Maracanã demonstra ser o que em 2001 imaginávamos. Um clube pujante, uma estrela reluzente na constelação de Rotary, formado por lideranças capazes de atrair novas lideranças a cada dia, promovendo a paz e o desenvolvimento social em sua área de atuação e no mundo como um todo.
Sebastião Porto contou com o apoio fundamental do companheiro Davi Ferreira, do Rotary Club no Rio Comprido, que formou com ele uma verdadeira força-tarefa para que o sucesso almejado fosse alcançado.
Graças ao trabalho dessa dupla incansável e à adesão de lideranças como Eduardo Vasco, primeiro presidente do clube, Luiz Fernando Fadigas e Alba Regina, o Clube se viu fundado com vigor, recebendo a sua Carta Constitutiva em 2002 das mãos do Governador 2002-2003 do Distrito 4570 Nilton Amaral. Como convém ao movimento rotário, o esforço Iniciado num período teve desfecho no período seguinte e assim se mantém ao longo de mais de duas décadas criando impactos duradouros na sociedade e sempre fiel a reconhecer a humanidade como sua missão.
De minha parte sou reconhecido pelo fato de ser agraciado com o título de associado honorário o que muito me honra e mantém viva em meu coração a chama pelo amor a causa de Rotary pela construção da paz e da compreensão na sociedade.
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2026


Reflexão — Semeando Futuros: O Rotary Maracanã e a Gestão da Educação
Há uma beleza silenciosa em reconhecer, no horizonte de um bairro, o que ele pode se tornar. Essa sensação me acompanhou durante toda a leitura do relato do Joper sobre a fundação do Rotary Club Maracanã — não apenas pela grandeza do feito, mas pela delicadeza com que a história foi tecida.
Ao longo da minha trajetória como educadora e gestora de transporte escolar, aprendi que o nosso trabalho, assim como a fundação de um clube, começa muito antes de qualquer resultado visível. Começa na crença silenciosa de que aquilo que ainda não existe merece ser construído.
O relato do Joper me fez refletir sobre três paralelos profundos com o meu dia a dia na Secretaria Municipal de Educação de Caçapava.
1. A Coragem de Semear no Vazio
O primeiro é a coragem de semear onde ainda há vazio. Assim como ele e Sebastião Porto percorreram o bairro do Maracanã enxergando potencial onde talvez outros vissem apenas um estádio e ruas comuns, nós, na gestão educacional, olhamos para crianças, jovens e comunidades e enxergamos possibilidades. Cada rota de transporte escolar que organizo não é apenas um trajeto: é a promessa de que aquela criança chegará à escola para ter a chance de construir um futuro diferente. É a mesma aposta que Joper fez ao dizer “prossigamos” diante das incertezas.
2. A Força das Parcerias
O segundo paralelo é a força das parcerias que sustentam os sonhos. O Rotary Maracanã não nasceu de um ato solitário, mas da união de lideranças como Davi Ferreira, Eduardo Vasco, Luiz Fernando Fadigas e Alba Regina. Na educação, sei que nenhuma transformação acontece isoladamente. O motorista que conduz o ônibus com cuidado, a merendeira que prepara o lanche, o professor que acolhe o aluno na sala de aula — cada um é peça essencial na engrenagem que faz a educação acontecer. Somos, como Joper descreveu, uma constelação onde cada estrela tem seu brilho e seu lugar.
3. A Perseverança que Atravessa Décadas
O terceiro, e talvez o mais comovente, é a perseverança que atravessa décadas. Vinte e quatro anos depois, o Rotary Maracanã permanece vivo, com fundadores ativos e a chama acesa. Como educadora, sei que os frutos do nosso trabalho raramente são imediatos. O aluno que transportamos hoje pode levar anos para florescer. Mas é justamente essa aposta no tempo — essa paciência fértil — que distingue quem serve de quem apenas passa. Joper plantou em 2001 e colhe, em 2026, a honraria de ser associado honorário de um clube que ajudou a conceber. Que lição preciosa sobre a fidelidade aos propósitos.
Ao final da leitura, ficou em mim a certeza de que o servir — seja no Rotary, na gestão pública ou na sala de aula — é um ato de amor ao futuro. É acreditar que o que fazemos hoje, com dedicação e humildade, ecoará em gerações que talvez nunca conheceremos.
Obrigado, Joper, por me lembrar que toda estrela reluzente começa como um lampejo de esperança no coração de alguém que ousa sonhar.