É tão bonito quando a gente entende
Na manhã desta quarta-feira, 4 de junho, a minha implacável agenda do Google despertou lembrando: ‘hoje é dia de celebrar o aniversário de Geraldo da Conceição’. Opa! O alerta me fez recordar um grande amigo, admirável companheiro, exemplo de humildade e dedicação.
Geraldão, como era chamado por todos, era um grande homem. Entendo que o carinho com que todos o tratavam se devia muito mais ao seu caráter extraordinário do que à sua estatura, indubitavelmente mais alta que a da maioria.
Afrodescendente, Geraldão encarnava o exemplo do que hoje chamamos de diversidade, equidade e inclusão. Associado ao Rotary Club de Vilar dos Teles, circulava com absoluta desenvoltura por todos os cantos da cidade do Rio de Janeiro, da Baixada Fluminense e de Petrópolis, unindo pessoas, irradiando simpatia e sempre disposto a servir, demonstrando, por suas atitudes, o verdadeiro significado de ser companheiro em Rotary.
Alguns lembram do companheiro Geraldo distribuindo as Revistas Brasil Rotário e os boletins dos clubes em suas inúmeras visitas.
Em sua atividade profissional, Geraldo da Conceição serviu às Forças Armadas, incorporando-se ao Corpo de Fuzileiros Navais. Tinha orgulho dessa trajetória, embora fosse sempre modesto ao falar de seu tempo de militar. Tive a oportunidade de presenciar os inesquecíveis encontros de Geraldão, quando, em visita ao Rotary Club do Rio de Janeiro, se deparava com o Almirante Cantídio — ex-Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais — que integrava o quadro de associados, tendo sido inclusive seu presidente. O reencontro dos dois era sempre admirável: o abraço era carinhoso e sincero, mais que um simples cumprimento. Antes de tudo, eram companheiros em Rotary, e isso os unia. Na tropa, hierarquia e disciplina: o sargento prestava a devida continência ao seu Comandante. Ad sumus. No Rotary, companheirismo e amizade: dar de si sem pensar em si; mais se beneficia quem melhor serve.
Para reavivar a memória das amigas e dos amigos que conviveram com Geraldão, enviei nesta manhã várias mensagens privadas para relembrar sua figura. Invariavelmente, as respostas chegaram rápido, sempre acompanhadas de boas recordações. Tudo indica que relembrar a data de seu aniversário fez bem aos seus admiradores que, como é natural, com o passar do tempo vão deixando ao largo lembranças como a desse incrível companheiro.
Alguns têm seus nomes registrados em sites e publicações e, assim, acabam destacados em pesquisas. Outros vão se perdendo na dinâmica da vida.
Na virada do século tive a oportunidade de prestar serviços voluntários junto a uma fabulosa equipe de mais de 200 outras pessoas que, desprovidas de interesses pessoais, decidiram se unir sob a denominação de Equipe Padrão. Como Geraldão, muitos desses amigos passariam pela perda de memória de seus comuns. Como me debato contra essa corrente, decidi editar o livro por ocasião da celebração do Jubileu de Prata da Equipe Padrão – a Humanidade é a Nossa Missão.
Nessa obra, reproduzo em síntese meus discursos motivacionais quando das Visitas Oficiais. E, pelo transcurso do aniversário de Geraldo, me permito lembrar um trecho de minha mensagem ao Rotary de Vilar dos Teles quando afirmei:
Servimos de forma despretensiosa, sem esperar retorno ou retribuição. Servir, para nós, é o meio para atingirmos o nosso objetivo: a paz e a compreensão mundial.
Tudo o que fazemos, é feito com amor, pois estamos convictos de que agindo em favor de nosso semelhante, estamos construindo uma estrada segura para que haja o clima propício ao entendimento entre as pessoas, fazendo com que suas diferenças sejam respeitadas, valorizando-se aquilo que lhes é semelhante ou os seus interesses coincidentes.
Sem dúvida, ao me dirigir ao Presidente José Rangel Dutra, eu tinha em mente a figura de Geraldão, sempre prestativo, solidário com os menos favorecidos, tratando a todos como Irmãos cristãos.
O nome de Geraldão e de cada um dos integrantes da Equipe Padrão fecham, com página de ouro, a obra editada pela Planeta Azul e lançada em 30 de junho próximo na Livraria da Travessa de Ipanema. Os árabes, em sua sabedoria secular afirma Maktub que em tradução livre é entendido como estava escrito, ou mesmo, tinha que acontecer, a noite de autógrafos ocorrerá justamente no dia da virada dos períodos em Rotary: 30 de junho.
Momentos inesquecíveis, como pessoas, precisam ser relembrados, rememorados, saudados, celebrados. Essa á a intenção de A Humanidade é A Nossa Missão – Jubileu de Prata da Equipe Padrão. Contar a nossa rica história é construir o futuro. Que pessoas como Geraldo permaneçam vivas em nossa memória e corações.
Gonzaguinha, em Caminhos do Coração, afirmou: E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar. É tão bonito quando a gente pisa firme nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos. É tão bonito quando a gente vai à vida nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração.
Que seja viva sempre, e para sempre, a memória de todas e todos os que se unem por causas que enobrecem o ser humano. Pessoas como Geraldão são um símbolo perene dessa conduta.

De fato a nossa missão deveria ser sempre trabalhar para o bem da humanidade. Se assim o fizéssemos com certeza o mundo seria melhor. O Jardim do Éden que se espraia por todo o planeta estaria melhor cuidado e as pessoas teriam a certeza de que o Jardim do Éden continua aí ao alcance dos olhos de todos basta olhar. Em cada canto do mundo as belezas naturais enchem os olhos. E a humanidade, ah a humanidade estaria em ascensão espiritual e todos viveriam em paz. A narrativa do amigo e padrinho Joper, sempre cuidadoso e gentil, revive o Padrão daquele grupo que fez e certamente continua fazendo o bem. Que bela missão inspiração para todos nós. Parabéns caro amigo e companheiro rotariano.
Prezado Joper Padrão,
Sua reflexão sobre o Geraldão me fez “parar o cronômetro” da rotina administrativa para olhar o que realmente importa. Como educadora e gestora de transporte escolar, li seu texto sob a ótica de quem lida diariamente com a logística do cuidado e do servir.
A trajetória do Geraldão no Rotary me tocou profundamente, pois vejo nela o espelho do que buscamos na gestão pública e na educação. Gostaria de partilhar como a história dele se entrelaça com a minha missão:
1. A Logística do Afeto e da Presença
Geraldão era o “embaixador da presença”, circulando com desenvoltura para entregar boletins e revistas. No transporte escolar, nossa missão é levar e trazer o futuro da nossa cidade. Muitas vezes, o foco externo está no veículo ou no horário, mas, assim como o Geraldão, entendemos que a gestão só faz sentido quando há o contato direto e o cuidado. Ele nos ensina que o serviço só ganha valor real quando entregue com dedicação e um olhar humanizado.
2. A Hierarquia que se Curva ao Propósito
O episódio do abraço entre o Almirante e o Sargento é uma lição magistral. Na Secretaria de Educação, lidamos com cargos e organogramas, mas o sucesso da nossa rede depende de sermos, antes de tudo, companheiros de um propósito maior. Geraldão provou que o caráter é a maior estatura que um ser humano pode ter. Na minha trajetória, aprendi que a autoridade de um gestor não vem do cargo, mas do exemplo de humildade e da capacidade de unir pessoas, exatamente como ele fazia.
3. Construindo Estradas Seguras
Você citou em sua obra: “estamos construindo uma estrada segura para que haja o clima propício ao entendimento”. No meu dia a dia, essa frase é literal. Ao organizar o transporte para que cada aluno chegue à escola, estamos construindo caminhos para a equidade e para o futuro. Geraldão, com sua solidariedade aos menos favorecidos, é o símbolo dessa conduta que enobrece o serviço público e o voluntariado.
4. O Legado contra o Esquecimento
Parabenizo-o pelo livro A Humanidade é a Nossa Missão. Como educadora, sei que o que não é registrado corre o risco de se perder. Ao eternizar figuras como o Geraldão, você oferece um mapa moral para todos nós. Ele nos lembra que “mais se beneficia quem melhor serve” — um lema que tento carregar em cada decisão na gestão do transporte escolar.
Obrigada, Joper, por reavivar a memória desse incrível companheiro e por nos lembrar que contar nossa história é, de fato, a maneira mais bonita de construir o futuro.
Com carinho e admiração,
Caro amigo Joper:
Relembrar o nosso amigo Geraldo é emocionante, para todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Ele tinha em mente, sempre, a alegria de servir de todas as maneiras possíveis ao seu alcance. Esteve presente em inúmeras visitas aos Rotary Clubes da cidade do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e Petrópolis. Ele foi e será sempre o exemplo para todos nós, rotarianos. E parabéns por saudá-lo de uma forma tão doce e poética, como de hábito, você sempre faz quando escreve sobre algum tema relevante!