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Consultor e Palestrante

Lembranças de um Papai Noel

Eu era bastante jovem quando numa de minhas viagens ao exterior me encontrei em solo estadunidense numa época de Natal. Tudo girava em torno das Festas e de repente me vejo comprando um gorro do Papai Noel que mantenho comigo até hoje.

Mais adiante, em celebração familiar, resolvi usar o gorro e as crianças demonstraram grande alegria quando me dirigi com o tradicional Ho! Ho! Ho! Pronto. Daí em diante surgia a simbiose que duraria por décadas.

Do gorro à roupa vermelha com luvas brancas, sino e demais apetrechos foi um passo. Um passo mágico. No Natal, Papai Noel aparecia para a alegria das crianças da Família.

Como eu mantinha uma relação muito próxima com a Creche apoiada por um estimado amigo – José Siqueira, passar a fazer surgir a figura de Papai Noel nas Festas de Natal da Creche Patinho Feliz, em Vila Isabel, foi algo natural.

Ali, o público infantil era numeroso. Em família alguns poucos sobrinhos; na Creche dezenas de crianças se juntavam ao Bom Velhinho. Imediatamente descobri que a figura simbólica que me propunha a encarnar teria que controlar sua emoção. Sem lágrimas, por mais que a gritaria e os abraços das crianças me comovessem.

Dai por diante, a cada ano Dona Ana (a mantenedora da Creche) agendava a participação. E lá ia eu, com alegria mesmo sabendo o calor que enfrentaria ao vestir o traje característico por algumas horas de encenação.

Papai Noel passou a frequentar as reuniões natalinas do Rotary da Tijuca, brincando com todos como, por exemplo, ao convidar a então companheira Ivete Siqueira a sentar em seu colo e ao lhe perguntar: Você, menina Ivete, se comportou direitinho? Ao que Ivete com um largo sorriso logo respondia: Me comprotei sim, Papai Noel!

Mais à frente conversei com alguns amigos do Rotary da Tijuca, então presidido pelo companheiro MAuro Furtado e propus a realização de uma Festa da Natal em uma instituição dedicada a acolher homens com deficiência visual. Logo fui admoestado com rzaão: Joper, eles são cegos; não enxergarão a sua figura como Papai Noel. Insisti, e lá fomos nós a planejar a empreitada.

Numa primeira visita à Associação Aliança dos Cegos, ao perguntar ao Coordenador da instituição quando havia acontecido a última celebração de Natal fomos informados que era incomum pensar-se nesse tipo de atividade, pois as famílias lá deixavam seus familiares com deficiência visual, sem jamais interagirem com eles. Pronto, esse seria o ponto de partida para o nosso desafio, criar uma ocasião festiva para os assistidos e seus familiares, com a figura do Papai Noel presente para todos.

A celebração foi verdadeiramente mágica. Familiares foram atraídos pela comilança oferecida a todos. E os hóspedes da Aliança dos Cegos interagiram com Papai Noel sem qualquer restrição. O toque suave de suas mãos eram seus olhos. A alegria reinante era contagiante. Ao final da  festa, mesmo aqueles que antes foram relutantes, diziam: Joper, eles “viram” Papai Noel. Foi incrível!

E uma vez mais a emoção teve que ser contida.

Numa evolução natural, uma vizinha de prédio, Assistente Social da Prefeitura, sabendo de minha disposição, me consultou se Papai Noel poderia ir a um local em que homens em situação de rua eram recolhidos no Alto da Boa Vista. Lá, com um público específico, quando um dos homens interagiu, ao ser perguntado pelo Bom Velinho o que gostaria de receber de presente, o senhor dirige seus olhos para o céu e exclama: Esperança! A foto que ilustra esse texto retrata esse momento. E foi muito difícil conter a emoção diante da resposta imprevista. Um homem sofrido mantinha a esperança certamente motivado pela mensagem de Jesus.

Durante anos percebi o quanto crianças ou adultos eram atentos a detalhes para descortinar o ator e o personagem, desde quando eu chegava ao locais de apresentação até o momento de apresentação. O calçado, a voz, tudo era testado pelos espectadores alegres e vibrantes.

Assim foi até quando em julho de 2017 passei a ter uma deformação de meu braço direito, fruto do assalto sofrido. Minha mão direita perdeu os movimentos ditos normais aparentando ter sofrido um AVC. Como encarnar o personagem com essa aparência? Foi quando decidi aposentar minhas apresentações e transferir a vestimenta para um amigo e companheiro em Rotary, Thiago da Silva, que, como eu fazia, se dispunha  a levar a magia da figura de Papai Noel para crianças de suas relações.

Neste Natal de 2025 mantenho comigo o mesmo gorro do Bom Velhinho que deu início a toda essa trajetória e o uso, ainda hoje, apenas como um símbolo da magia que rodeia esse personagem sempre com o cumprimento tradicional: Ho! Ho! Ho! Feliz Natal!

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15 comentários

  1. Joper sendo Joper, mais uma vez. Ao relatar sua trajetória de Papai Noel, nos leva a “ver” cada situação que descreve, cada alegria descoberta.
    E sabendo a hora de passar o bastão adiante, para alguém dar continuidade a tarefa tão nobre quanto sublime.

    • Que emoción leer cada palabra, imaginar esos momentos, sacar a la niña interior y viajar en el tiempo. Gracias mi querido amigo por compartir y disfrutar a la distancia. Un cálido abrazo

  2. De Claudio (via whatsApp): Linda e comovente história, Joper.
    Podemos dizer que o Papai Noel Joper reproduz o milagre da rua 34, no Rotary Club do Rio de Janeiro-Tijuca, Bom demais?????

  3. De Siomara Castro (via WhatsApp):

    Seu relato “Lembranças de um Papai Noel” é uma narrativa tocante que nos transporta para a magia e o espírito de Natal através das suas experiências pessoais. Sua história começa com um gesto simples — a compra de um gorro de Papai Noel — que se transforma em um compromisso de décadas, levando alegria e esperança a crianças e adultos.

    Você descreve com carinho como o simples uso de um gorro se transformou em algo muito maior. Com o passar dos anos, se dedicou a encarnar a figura do Bom Velhinho, levando sorrisos não só às crianças da família, mas também a dezenas de pequenos na Creche Patinho Feliz. A transformação do gorro em um traje completo simboliza o compromisso e a sua paixão de por espalhar a alegria do Natal.
    Um dos aspectos mais emocionantes do seu relato é a inclusão e o impacto social que você trouxe através de suas aparições como Papai Noel. Ao visitar a Associação Aliança dos Cegos, ele quebrou barreiras e proporcionou uma experiência sensorial única, provando que a magia do Natal pode ser sentida de maneiras além da visão. A interação com pessoas em situação de rua, especialmente quando um homem expressou seu desejo por “esperança”, destaca como simbolicamente Papai Noel pode inspirar e tocar vidas de uma maneira profunda.
    A sua decisão de passar o manto para seu amigo Thiago após sofrer uma lesão significativa demonstra resiliência e a vontade de manter viva a tradição que ele tanto prezava. Mesmo aposentado da atuação como Papai Noel, o gorro que iniciou tudo permanece como um símbolo poderoso de suas memórias e contribuições.

    Seu texto Joper Padrão nos lembra da importância de gestos simples que podem ter um impacto duradouro e transformador. Sua história é um testemunho de como a dedicação pessoal pode influenciar positivamente a vida de muitos, trazendo o verdadeiro espírito de Natal a todos que encontram.

    Feliz Natal!

  4. Que emocionante relato, amigo e companheiro Joper.

    Não sei se você sabe, mas até eu já usei essa sua vestimenta de Papai Noel. Minha filha Lolô era pequenina e ficou encantada com o bom velhinho. Depois de algum tempo ela me contou que Papai Noel veio na nossa casa e ela o achou muito parecido comigo.

    Um Feliz Natal!

  5. Luiz Fernando Fadigas (via WhatsApp): Muito bom . Fui testemunha de algumas “aparições” desse Noel

  6. De Nelson Araújo (via WhatsApp): “Esperança…” Papai Noel é esperança…!
    Parabéns, mestre Joper, padrão de esperança..!
    Que Jesus, o Cristo de Deus, o cumule de bençãos, para manter esta sublime trajetória de Serviço ao Próximo.

  7. De Francisco Carlos de Jesus (via WhatsApp): Obrigado por compartilhar comigo amigo

    Fazer bem, seja como for, aos demais faz bem a nós. Você, no caso apresentado, fez bem a uma infinidade de necessitados de Esperança.

    Que o Bom velhinho permaneça em seu coração

    HoHoHo

  8. De Luciana Rosa (via WhatsApp): Que belo relato meu amigo!!! Como sempre, nos levando a imaginar cada uma das situações e trazendo aquele pequeno “cisco nos olhos”. Que belo presente de Natal para todos nós!!
    Muitíssimo obrigada!!!

  9. De Nande (via WhatsApp): Que lindo. Que Deus abençoe sua vida e que todos entendam o real sentido do Natal. Amor, empatia, humildade. Estou encantada com esse relato. Parabéns.

  10. De Tatiana Bastos (via WhatsApp): É muito bom comemorar o dia de um refugiado, contrário ao acúmulo de capital e apoiador das minorias. Feliz Natal, Jopper e família!

  11. De Ana Luiza Sepulveda (via WhatsApp): Felicitaciones Joper. Que linda experiencia, llevando alegría a niños, invidentes y desamparados.
    Si vienes a Santiago de Chile, avísame. Me encantará conocerte personalmente, a ti y a tu familia.
    Que Dios te siga iluminando y acompañando.

  12. De João Flávio (via WhatsApp): Joper, você é o Joper.
    Parabéns

  13. De Marilia Castro (Via WhatsApp): Não sabia dessa história Joper parabéns

    • Linda e emocionante história.

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