Vizinhança versus Geopolítica
Tive o privilégio de conviver com um amigo brasileiro filho de pais japoneses. Em nossas conversas falamos sobre hábitos de suas origens. Da gastronomia (da qual sou admirador …) até práticas sociais.
Numa dessas conversas ele comentou como jovens casais agiam quando se aproximavam da mudança após o matrimônio. Disse-me que era de costume o casal visitar seus futuros vizinhos apresentando-se e perguntando se tinham permissão para ocuparem sua nova habitação. Seria uma forma do casal se fazer conhecido e aceito pelas pessoas com as quais iriam conviver daí em diante.
Ouvi meu amigo com atenção e registrei. Achei de uma sabedoria típica da cultura milenar dos japoneses.
Mais adiante eu e minha esposa resolvemos mudar nosso domicílio para um novo apartamento que iria requerer obras. O serviço foi estimado pelo arquiteto com duração de cerca de três meses entre elétrica, hidráulica, alvenaria e pintura. E logo fui avisado: e se prepara Joper para as reclamações; por mais que minha equipe seja cuidadosa e trabalhe somente durante os dias úteis, o barulho vai ser inconveniente.
Foi quando tive um de meus insights. Lembrei da conversa com o meu amigo de origem japonesa e decidi adaptar a prática dos jovens casais. Primeiro passo, mapeei o novo prédio de 4 apartamentos por andar. Se faríamos barulho, iríamos interferir no dia-a-dia de 3 famílias do andar, outras 8 (no andar de cima e no andar de baixo), o Síndico e mais 3 famílias de amigos que residiam em outros andares. Eram 15 ao todo.
Em seguida, fui ao mercado de flores e comprei 15 pequenos vasos floridos. Próximo passo: o casal visitar cada um dos vizinhos mapeados, apresentar-nos, presentear com as flores e informar que nos mudaríamos em 3 meses após obras de recuperação para proteção de todos no condomínio.
A receptividade foi total. E a partir daí a obra transcorreu sem qualquer tipo de contestação. Na verdade, nossa estratégia havia funcionado, O respeito demonstrado acabou por conquistar a amizade de vizinhos que hoje reputamos como parte de nosso patrimônio na nova morada. E lá se vão mais de 10 anos de convívio harmônico.
Na dinâmica das relações no condomínio o que fica evidente é o respeito de todos para com todos.
Vizinhos amáveis é o desejado. Nem sempre é assim. Mas quando acontece, é um prêmio. E como tal deve ser preservado. Tratado como uma planta delicada regada com carinho a cada dia.
Já no que toca às relações geopolíticas as questões são bem diferentes. Enquanto vizinhos estão próximos, quase sempre lado a lado, nas Ruas, Cidades, Estados ou Países as fronteiras ou os interesses estabelecem diferenças nem sempre tão harmônicas quanto desejadas.
Nesses casos há que se procurar o equilíbrio para que reine a deseja paz no convívio. A complexidade é incomparável. O entendimento deve ser o caminho para equacionar eventuais diferenças. No âmbito local ou regional é assim que é desejado.
Já no campo internacional, a Diplomacia, por exemplo, é o meio adequado para que grupos ou nações procurem conduzir entendimentos entre seus representantes para dirimir suas diferenças e alcançar os objetivos colimados através do diálogo, da negociação e de outras medidas pacíficas. Entre Países é assim que deve funcionar.
No entanto, a História mostra o quanto é desafiante a manutenção das boas relações entre as Nações. Em inúmeras ocasiões, o Mundo se viu diante de déspotas que pelos mais diferentes argumentos, tentam expandir os territórios em nome dos quais governam, ou até mesmo as ideologias que os norteiam e que tentam impor a outros povos, seja pela força das armas convencionais, seja pela pressão dos meios de sobrevivência.
A boa vizinhança pode resultar de estratégicas como a mencionada no início dessas reflexões. Já entre as Nações o desafio é diferente e gigantesco. Nesses casos, aqueles sob opressão devem resistir principalmente mantendo a soberania.
Como a própria História nos mostra, opressores são passageiros. Manter a altivez é dar passos na consolidação da raça. E nós, brasileiros, somos perseverantes e persistentes. Assim sempre temos sido, e assim sempre seremos a cada novo alvorecer. E concluo lembrando versos de Xande de Pilares em Perseverança: Meu Deus ele é forte nele eu tenho fé. Eu nunca vou remar contra a maré. Quem planta o bem, o bem sempre colherá.
Vizinhos inconvenientes existem, mas a dinâmica da vida nos afasta dessas situações inconfortáveis. Já com mandatários arrogantes, prepotendes, é diferente; os desafios são maiores, mas sempre transponíveis. A História nos ensina como são passageiros.
https://www.youtube.com/watch?v=tYJEPru6CDI

Imagem colhida em https://agro.insper.edu.br/midia/

Bom dia Joper.
Li seu texto.
Mais uma vez, reafirmo que sua escrita é clara, objetiva. Como professora de língua portuguesa, é bom ler textos assim.
Quanto ao tema, acho muito importante termos um bom relacionamento com nossos vizinhos. Faz parte da política de boa convivência. Achei muito interessante o que vocês fizeram, baseando-se na forma como os japoneses fazem.
Quanto às relações entre países, a coisa se torna mais contundente, com certeza, haja vista que são muitos os déspotas que desejam “mandar no mundo”. E, infelizmente, eles perturbam quem está quieto. Mas, se formos capazes de preservar nossa integridade como país, nos defenderemos de quaisquer tipos de ataques e eles passarão, assim como você mencionou. Não será fácil, pois os desafios serão muitos; no entanto, conseguiremos. Abraço. Vera Sarubbi
Parabéns pelo texto, caro amigo. Precisamos de mais “Jopers” no mundo.
De Helenice Vilelea (via WhatsApp): Muito legal a prática oriental. Parabéns!
Joper, seu texto é uma reflexão envolvente e rica sobre a importância das relações humanas em diferentes esferas, desde o ambiente mais íntimo dos vizinhos até o cenário complexo das relações geopolíticas. Você consegue traçar um paralelo interessante entre a prática pessoal de cultivar boas relações com os vizinhos e os desafios enfrentados por nações no cenário internacional.
A forma como você descreveu a adaptação da tradição japonesa de apresentação aos vizinhos demonstra um nível elevado de empatia e inteligência emocional. Sua abordagem proativa ao lidar com possíveis conflitos durante a reforma do apartamento é um exemplo claro de como o respeito e a comunicação aberta podem prevenir tensões e fomentar um ambiente harmonioso. Este tipo de atitude é um lembrete poderoso de que pequenas ações de consideração podem ter um impacto duradouro e positivo nas nossas comunidades.
Ao transitar para o tema das relações geopolíticas, você destaca bem a complexidade e os desafios inerentes a este campo. A ênfase na diplomacia como meio de resolução de conflitos é pertinente e necessária, principalmente num mundo onde as diferenças entre nações podem facilmente escalar para confrontos. A sua reflexão sobre a transitoriedade dos opressores e a perseverança dos povos oprimidos é inspiradora e traz uma mensagem de esperança e resiliência.
Seu texto também é enriquecido pela citação dos versos de Xande de Pilares, que reforçam a ideia de que a fé e a bondade são forças poderosas que podem superar desafios. No geral, sua narrativa não só informa, mas também motiva o leitor a buscar soluções pacíficas e respeitosas em todas as esferas da vida. Parabéns por um trabalho tão bem articulado e instigante!
Belíssimo texto Companheiro Jper. Aqui no interior de Minas, havia esse hábito parecido. Os recém-casados visitavam os familiares e vizinhos e ofereciam um bolo ou bolinho chuva. Pelo menos na família Nogueira que era minha família materna. Era uma gentileza já esperada após a lua de mel. Vizinhos fazem parte de nossas vidas ainda que pouco. Já passei por situações bem complicadas que somente diálogo e boa vontade resolveu.
Quanto a geopolítica em se tratando de Geopolítica é bem mais complicado, quando os mandatários só pensam em Poder. Sempre falam em soberania de uma Nação, mas nunca submetem a aprovação de seu povo, quando tomam decisões que na maioria das vezes visam apenas o lado de quem está de acordo com do dito Poder.
Ainda falta muito para alcançarmos a Real e verdadeira Justiça, Igualdade e Fraternidade entre os povos.
Parabéns pelo excelente texto .
Você e muito.
Um abraço
Co. Joper, feliz em ler uma crônica tão bem fundada, a analogia com os conflitos é enriquecedora.
Certamente a filosofia japonesa pode e deve nos inspirar.
Grande abraço,
Pedro Reis (RC SJC Jd.Colinas)
Jooer Como sempre és claro, suscinto (riqueza e valor agregado) e objetivo. O artigo é extremamente oportuno, profícuo e dotado de alto critério de excelência em seus ensinamentos milenares, porém super atuais e isso é peculiar da tua observação quanto a todos temas/assuntos nos quais tens interação e interesse. Parabéns pelo êxito do artigo. Att
Que texto maravilhoso! Amei! Obrigada!
Meu Caro Amigo Joper Padrão, mais uma vez seu texto nos trás atualidades relativas aos aspectos conflitantes atinentes às relações humanas e entre organizações, ou nações, fazendo-nos refletir.
O texto destaca que as relações entre vizinhos podem ser harmoniosas, mas no cenário internacional elas exigem diplomacia e equilíbrio para evitar conflitos. A História mostra que líderes autoritários costumam usar força ou pressão para impor interesses, mas essas figuras são passageiras. A resistência pacífica e a perseverança, sobretudo dos povos que valorizam sua soberania, são fundamentais para enfrentar desafios e manter a altivez.
Otimo texto, de uma clareza, simplicidade que envolve, esclarece e faz refletir.
Parabéns!!!
Como vc sou um fa da cultura milenar japonesa – quanta sabedoria embutida. Na geopolitica penso q trump esta dando um tiro no pe por total desconhecimento da economia e suas leis, ou por nao escutar seus assessores. Tema e muito oportuno e so um joper consegue divulgar com tanta altivez, competencia e generosidade. Abs
De Antônio Carlos Esteves Torres (via WhatsApp): Vizinhos são a família da outra porta. Bela crônica do tanto de tudo que mais importa : conhecimento das vidas, tão veloz e passageiro, e de recordações que não se apagam pelo existir inteiro. Parabéns.
De Ricardo Franco Teixeira (via WhatsApp): Muito bom! Parabéns!
E sim, a gentileza entre vizinhos deve ser constante.
De Guilherme Moraes (via WhatsApp): Como sempre oportuno e colaborador para a paz entre os humanos. Honrado pela tua amizade. Fraterno abraço.
De Licio Araújo (via WhatsApp): Caro Joper amigo do coração.
São poucos os que depõem Por escrito
Seus pensamentos e suas emoções. Seu texto é mais que uma é enorme
Parábola, base exemplar para o comportamento humano
De Alice Hassano (via WhatsApp): Boa tarde, governador Joper! Gostei muito das reflexões sobre as vizinhanças!
De CMG Machado, do Corpo de Fuzileiros Navais (via WhatsApp por intermédio de Fausto Bessa) Prezado mestre Fausto De Bessa e demais companheiros do Grupo;
A crônica compartilhada pelo companheiro Joper, intitulada “Vizinhança versus Geopolítica”, é um excelente exemplo de como reflexões do cotidiano podem ser transformadas em lições com profundidade estratégica, oferecendo insumos preciosos para os discentes da ADESG na construção de pensamento crítico, analítico e integrado.
A seguir, proponho uma interpretação estruturada do texto base, seguida de comentários interpretativos voltados para estimular o debate no grupo:
INTERPRETAÇÃO DO TEXTO:
“Vizinhança versus Geopolítica”
1. Narrativa pessoal como ponto de partida
O autor inicia com uma memória pessoal e cultural: a tradição japonesa de casais recém-casados visitarem os futuros vizinhos para se apresentarem e pedirem permissão para ocupação da nova moradia. Essa prática, marcada por empatia, respeito e integração, é usada como ponto de partida para ilustrar como ações simples e simbólicas podem gerar efeitos profundos de acolhimento e convivência harmônica.
2. Aplicação prática e aprendizado
O autor relata como adaptou essa tradição ao contexto brasileiro ao mudar-se para um novo apartamento. A visita proativa aos vizinhos, acompanhada de um gesto simbólico (flores), foi suficiente para evitar conflitos e gerar capital relacional duradouro. Esse exemplo real reforça o valor das ações antecipatórias, do diálogo e da diplomacia doméstica.
3. Transição para o plano geopolítico
A narrativa pessoal serve como analogia para introduzir um tema mais complexo: as relações entre nações. A convivência internacional é comparada à vizinhança, mas com desafios de outra magnitude. Destacam-se:
– As diferenças de interesses entre Estados.
– A necessidade da diplomacia como instrumento de mediação.
– O risco de líderes autoritários buscarem dominação por força ou ideologia.
4. Conclusão com mensagem de esperança
O texto encerra com uma afirmação de resiliência e perseverança dos povos frente às opressões temporárias. A referência à canção de Xande de Pilares agrega um tom emocional e espiritual à mensagem: quem planta o bem, colhe o bem. O autor afirma que a História prova a transitoriedade dos opressores, enquanto os que resistem com dignidade constroem a verdadeira soberania.
COMENTÁRIOS E EIXOS PARA DISCUSSÃO NO GRUPO:
1. A diplomacia como instrumento de antecipação e descompressão.
A crônica mostra com clareza que, tanto no plano doméstico quanto no internacional, o gesto diplomático proativo – antes do conflito – pode evitar desgastes, ruídos e tensões. A diplomacia não é apenas “resolução”, mas sobretudo “prevenção”.
2. O poder das ações simbólicas.
A entrega de flores como gesto inicial representa um investimento de baixo custo com alto retorno estratégico. Em política internacional, gestos simbólicos – como visitas de chefes de Estado, tratados culturais ou cooperação técnica – têm efeitos de longo prazo sobre a imagem internacional dos países.
3. Analogias úteis para a pedagogia estratégica.
O uso da metáfora da vizinhança facilita a compreensão de princípios aplicáveis à estratégia nacional e geopolítica:
– Mapeamento de atores relevantes.
– Antecipação de reações.
– Construção de capital relacional.
– Manutenção da paz como prioridade estratégica.
4. Altivez nacional e memória histórica
O texto também toca em um ponto sensível: a firmeza e a resiliência como base da soberania nacional. O autor acerta ao lembrar que regimes autoritários passam, mas os povos que preservam sua identidade e autodeterminação permanecem. Isso está profundamente alinhado com a doutrina de defesa e os valores cultivados pela ESG.
5. Formação estratégica com base em valores
A narrativa oferece um modelo de liderança e cidadania alinhado com os princípios da ESG: dignidade, respeito, ação responsável, diálogo e visão de longo prazo. É um chamado à prática da estratégia com valores.
PROPOSTA DE ENQUETE PARA O GRUPO:
Como podemos aplicar, no âmbito das relações internacionais do Brasil, essa lógica de diplomacia proativa, respeito mútuo e construção de convivência sustentável, tão bem ilustrada na crônica pelo gesto pessoal do autor?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O texto de Joper Padrão representa uma valiosa contribuição ao pensamento estratégico adesguiano, pois conecta o micro ao macro, o cotidiano à geopolítica, e a experiência pessoal à formulação de princípios de convivência e soberania.
A repercussão altamente positiva entre os leitores evidencia a capacidade do autor de sensibilizar, engajar e educar por meio da palavra escrita – um atributo essencial para quem se propõe a formar líderes conscientes e estrategistas da paz.
De Nazira Douek Weinman (vizinha – Via WhatsApp): Eu me lembro,e foi a sementinha pra uma linda amizade
De Dilma E Santo (via WhatsApp): Excelente. Se todos tomássemos essa atidude, muitos atritos seriam anulados. Talvez nem existissem.
Excelente texto. Super atual. Parabéns Companheiro Joper.
De Gen. Otavio Sntana do Rego Barros (via WhatsApp): Sensacional amigo
Vamos à floricultura para resolver os desafios geopolíticos
Bela crônica, amigo.
Fiz algo semelhante quando mudei de apartamento. Além da obra havia uma criança com quase 2 anos. Funcionou com exceção de um caso. Embora o vizinho do andar de baixo fosse meu conhecido, foi muto conflituoso. Superamos as diferenças nos anos seguintes e hoje há uma boa relação e ele mudou-se para Botafogo.
Por outro lado, há o típico intervencionista. Julga ter o direito de interferir através de regras que são frutos da criatividade e iniciativa individual. Guardávamos o respeito ao horário para obras. Como segurança, acrescentamos 30 minutos ao início e terminávamos 30 minutos antes do limite final dos trabalhos. Foi nosso compromisso. O intervencionista se dirigiu aos trabalhadores, interrompeu as atividades e disse que no horário de almoço o intervalo a ser preservado era de 2h. Apesar do espanto, no dia seguinte desfiz a ordem. Fui procurado para dar explicações do descumprimento da regra que ele sancionou. Não é piada. Como costumo dizer, não há como brigar com a vida real. O conflito, por estes e outros motivos, persistiram, embora sejam unilaterais atualmente.
O mais importante foi o amplo apoio dos demais vizinhos a minha causa. Funcionou nesta dimensão.
Na UNIPAZ, com o reitor e amigo Pierre Weil, aprendi que o contrário da paz não é a guerra. Na verdade, é a estagnação. A guerra é a consequência da estagnação do ponto de vista de atores que atuam no conflito, que ficam cristalizados, geram grande apego, alicerçados por argumentação racional ou emocional, por interesses, convicções e, geralmente, progridem para um acirramento ou até a guerra.
Isso é semelhante com vizinhos e na geopolítica.
O que assistimos é um acirramento de posições onde o populismo é o motor de todas as partes antagônicas. Vamos vibrar para que hábeis diplomatas, na melhor representação de Estado, possam encontrar uma solução para o retorno da norma social da boa convivência. E que a construção da Paz seja presente hoje e sempre.
Belissimo texto, amigo Joper. Ninguém resiste ao toque da Gentileza e do Amor. A humanidade está sedenta de Fraternidade. Sejamos nós a porta de entrada da transformação, o exemplo vivo. Parabéns amigo
De Ronaldo Brito (via WhatsApp): Parabéns companheiro. Com certeza. A Geopolítica é um amplo assunto
De Maria da Glória Rabello (via WhatsApp): Bom dia! Excelente texto Reflexão perfeita Parabéns
Prezado Amigo, mais um excelente texto, que nos leva a refletir sobre os relacionamentos humanos. Muito criativa e respeitosa a sua forma de interagir com os vizinhos. Poucos se dão ao trabalhar de interagirem, de participarem de reuniões de interesse coletivo e poucos se cumprimentam, além do básico. Encontramos em nossas ruas, bairros, cidades deste País ameaças, agressões mentais e físicas em ações que ceifam vidas todos os dias. Combates urbanos armados são comuns no Brasil para domínio de regiões onde impera o crime organizado, que se alimenta da corrupção e do tráfico de armas e drogas. No ambiente amazônico, a população indígena continua desprotegida e é atacada por fazendeiros e mineradores. Em resumo, olhar o ambiente externo nos impõe a condição de olhar para o nosso país e refletir que a ameaça não está tão distante como nos parece. Estamos reféns do que deixamos acontecer e do pouco que conseguimos progredir, pois no papel as intenções são boas. E aqui como no exterior leis, tratados e acordos na maioria das vezes não passam de um trabalho intelectual de cérebros privilegiados em ambientes com ar-condicionado.
Joper é um ser sensível! Ser humano ímpar. Tem empatia. Ilumina e inspira as pessoas. Vizinhos são necessários, porém, nem todos se introzam bem. Passamos anos, décadas morando um ao lado do outro, um atrás ou na frente do outro e o relacionamento nem sempre é cordial.
Parabéns Joper, por mais este tema necessário para nossas vidas cotidianas.
Estimado amigo JOPER,
Seu artigo é enriqiecedor pela sabedoria que nos transmite.Sou Messiãnica e amante da cultura japonesa.Penso que a arte de nível elevado e o belo promovem o aperfeiçoamento do caráter e da personalidade.
A compreensão acerca das leis que regem a GRANDE NATUREZA e sua relação com a saúde e fellicidade do ser humano é o caminho para a harmonia, a paz e as relações geopolíticas abaladas pela guerra, luta prlo poder e relações não harmônicas.
O espírito de justiça, bom senso e amor ao próximo podem ser cultivados através do simples fato de presentear algúem com uma flor.
As boas práticas de convívio requerem também disponibilidade para ouvir o próximo, abertura para o diálogo, capacidade de negociação e buscarmos respostas para nossos infortúnios através de um mundo pleno de VERDADE,BELO,PROSPERIDADE E PAZ.
De Sérgio Carvalho (via WhatsApp): Gostei muito do seu texto. Foi um momento de relaxamento enquanto escrevia, apesar da conjuntura.
De Fernando Paiva (via WhatsApp): O saber e a gentileza próprias do amigo podem afirmar que o hábito dos jovens casais, descendente nipônicos, faz parte da cultura milenar daquele povo. Conheci Diretor de uma Cooperativa Agrícola, japonês, que só distribuía gestos e palavras de gentileza. Volto a afirmar que a gentileza é uma das maiores virtudes do amigo Joper. Não posso afirmar que seja individualidade daquele Diretor. História recente, na Segunda Grande Guerra, o Japão sofreu o maior desastre provocado por bomba atômica lançada pelos EE.UU. em represália à ataque japonês. A animosidade japonesa terá ensinado seu povo que o melhor VIVER seria buscar meios diplomáticos que os tornariam admirados pelo seu novo proceder?
Como sempre seu procedimento adicional, com doação de flores, provocaram o MAR DE ROSAS na convivência condominial. O administrador das obras da sua nova locação foi cauteloso, tive vizinho em situação semelhante e o único cuidado foi respeitar horário de trabalho dos operários sem influência do síndico.
Amigo Joper alguém já lhe sugeriu que a Diplomacia acrescentada ao seu currículo seria um SUCESSO ABSOLUTO?
Tivemos um grande exemplo de sucesso em nosso país com o Barão do Rio Branco efetivando a demarcação de limites com vários países fronteiriços e ainda a conquista de área da Bolívia que fixou o Território do Acre Tudo AMISTOSAMENTE.
Hoje o mundo continua em guerra a DIPLOMACIA ESTÁ ESQUECIDA. Israel, Palestina, Ucrânia, Rússia lutam por regimes e territórios e os acordos continuam inaceitáveis.
Tenho um amigo, Rotaryano do Bonsucesso, que vive junto com a família nos EE.UU.,Flórida, que respondendo pergunta que lhe fiz no período eleitoral daquele país: qual o melhor candidato? ele me respondeu o TRUMP é o MENOS MAL. Hoje temos a confirmação da opinião do CARIOCA JAIR.
Até quando a loucura daquele homem vai abalar as relações com o resto mundo?
Só Deus sabe.
Olá Joper,
Perfeita a reflexão.
Conhecer e cativar seus vizinhos é uma premissa que trago na vida. Me dei conta que até nas salas de aulas que frequentei até então, procurei não ocupar o mesmo lugar, por querer sempre ter contato com todos. E isso me veio à mente enquanto fazia a leitura.
Parabéns, amigo!
Querido Joper o texto aborda a dificuldade de manter boas relações entre nações, especialmente diante de líderes autoritários que usam a força ou a pressão para impor suas vontades. Destaca a importância da resistência e da preservação da soberania como forma de defesa. Valoriza a perseverança e a fé do povo brasileiro, acreditando que os opressores são passageiros e que, com dignidade, os desafios podem ser superados. Termina com uma mensagem de esperança, reforçada por versos da canção Perseverança, de Xande de Pilares.O texto muito bom nos leva a uma reflexão profunda. Um abraço amigo. Deus o abençoe!
De Fernando de Castro Martins (Via LinkedIn):Parabéns Joper Padrão pelo artigo.Todos precisam ler!!!! Forte abraço Apenas para não deixar sem resposta seu pedido de comentários indico algumas correções de digitação que uma revisão facilmente detectará. Grande Abraço.
De Almte FN Fernando Antonio (via WhatsApp):O texto está muito bem escrito. Tem um estilo, leve, claro e de agradável leitura.
A comparação entre o procedimento típico da cultura japonesa de se apresentar aos vizinhos antes de se mudar para favorecer o acolhimento por parte deles, sua aplicação bem-sucedida aqui no Brasil, em um processo de mudança com obras, invariavelmente perturbadoras, e sua inaplicabilidade às relações internacionais é muito interessante.
O autor está correto ao afirmar que, na geopolítica, as relações nem sempre são harmônicas. Ao contrário, tendem se tornar conflituosas, em vista da existência de interesses dissonantes entre os Estados.
Certamente, a diplomacia seria a ferramenta de primeira ordem a ser utilizada nesses casos, lamentavelmente frequentes. Porém, ao percorrermos a história da Humanidade, o recurso ao conflito armado nos acompanha desde os primórdios de nossa existência, qualquer que tenha sido a forma de organização social típica de cada era. Bandos, tribos, clãs, feudos, Estados, coalizões… Em todas as fases dessa evolução – sim, tem havido alguma evolução –, a opção “guerra” sempre esteve presente. Guerra que é “a continuação da política por outros meios”, nas sábias e, até onde alcança o horizonte de previsibilidade, imutáveis palavras do General prussiano Carl von Clausewitz em sua obra seminal “Da Guerra”.
Daí surge uma primeira ressalva a ser colocada: a excessiva confiança na diplomacia e no diálogo. Aliás, confiança essa que está arraigada na “cultura geopolítica brasileira”, se é que existe algo assim. Temos visto nossos governantes se jactarem de que temos conseguido grandes ganhos por meio do chamado “soft power”, conceito que que opõe ao de “hard power”, conforme o pensamento de Joseph Nye. Pessoalmente, creio que até hoje não logramos alcançar nenhum ganho relevante com tal postura e, ao contrário, chegamos a ser alvo de avaliações pejorativas por conta de um comportamento “naif”, principalmente por conta de tentar exercer um protagonismo internacional sem possuir elementos concretos de poder para tal.
Neste ponto, sou levado a recordar do famoso “efeito Tostines”: confiamos demais no “soft power” porque não temos o poder militar que deveríamos ter ou não temos o poder militar compatível com nossa envergadura porque temos confiado demais em nosso conhecido “soft power”?
Qualquer que seja a resposta, o fato é que o Brasil tem sido ingênuo em avaliar a conjuntura internacional e talvez, apenas talvez, agora comece a constatar que, de todas as principais vertentes teóricas para as relações internacionais, a que se impõe pela força dos fatos é a realista e sua variante neorrealista.
O fim da Guerra Fria trouxe um alento de que uma nova era teria sido posta em marcha. Francis Fukuyama vaticinou “O Fim da História e o Último Homem”, embalado pelo pensamento de que a cultura ocidental, a democracia e o capitalismo teriam vencido a guerra ideológica e se imporiam sobre outras visões e tendências. Ledo engano. A potência hegemônica ocidental, os Estados Unidos da América (EUA), logo passou a ser submetida a crescentes desafios, processo que se estende até os dias de hoje. O terrorismo no Oriente Médio, a competição econômica, geopolítica e militar com a China, a busca pelo renascimento do antigo império russo (não necessariamente soviético) e o crescimento exponencial da Índia e da Turquia, ambas com posturas altamente independentes em relação aos EUA, são apenas alguns deles.
O fato é que o mundo unipolar do pós-Guerra Fria já foi tragado pelo ralo da História. Podemos discutir se estamos vendo o nascimento de uma nova bipolaridade, aliás bastante comum na trajetória da civilização humana, ou uma multipolaridade, essa bastante rara e normalmente transitória.
Quase que um corolário disso, as poucas organizações multilaterais existentes estão adquirindo o status de irrelevância, o que nos leva a crer que longe está o dia em teremos algo parecido com um “governo mundial”, embora talvez esse seja o destino final de nossa civilização. Se o for, não será visto pelos olhos de nós que hoje estamos vivos e não será sem que muitos conflitos e disputas por poder, riqueza e hegemonia o antecedam.
Assim, fica a ideia de que já passou da hora de a sociedade brasileira desiludir-se da natureza humana, entender a essência conflituosa das relações internacionais e moldar-se política, econômica e militarmente à realidade, dura realidade.
A segunda ressalva que gostaria de fazer é quanto ao papel dos déspotas nas relações entre Estados. Não ficou claro a quem Joper está se referindo, se é que se refere a alguma personalidade do presente. De fato, de quando em quando, aparecem governantes que pautam o exercício de seus cargos em opressão, agressão, seja militar, econômica ou ambas, tentativas de conquistas territoriais, colonialismo, neocolonialismo, etc. Contudo, penso que, na maioria dos casos, esses déspotas:
• chegaram ao poder apoiados ao menos por grupos políticos dentro das sociedades onde surgiram;
• chegaram a contar com apoio popular, em muitos casos até bem amplo; e
• inspiraram-se em ideólogos e no clima intelectual de suas épocas.
Ou seja, ainda que possam ser ou ter sido efêmeros, os déspotas costumam ser parte de processos históricos que costumam refletir o clima e o pensamento vigente à época em que viveram. Há outros, mas quiçá Hitler seja um bom exemplo a ser lembrado. Deste modo, se Joper está se referindo a um déspota do presente, e há vários candidatos a tal nominação, “lato sensu” e “stricto sensu”, eu sugeriria que se considerasse a possibilidade de que essa pessoa pode até possuir uma personalidade propícia a atitudes despóticas, mas, em essência, reflete o pensamento existente na sociedade de onde emergiu, mesmo que não seja unânime (não costuma ser).
Enfim, se os déspotas são efêmeros, nada nos garante que outros não surgirão, até que a Humanidade alcance um patamar civilizatório que impeça a existência de governantes desse tipo, se é que nossa insensatez não nos encaminhará para a extinção antes de que esse estágio seja alcançado. Nas palavras de Einstein, “eu só conheço duas coisas infinitas, o Universo e a estupidez humana, embora tenha sérias dúvidas quanto ao primeiro”.
Por derradeiro, deixaria a Joper a sugestão de não usar o termo “raça”. É um termo altamente questionável em várias áreas de conhecimento, seja na Biologia, seja na Antropologia, mas é particularmente malvisto nessa última. O homo sapiens é uma espécie e não possui subespécies. Admitir que existam raças humanas, mesmo que tentando dar-lhes um sentido positivo, é praticamente o mesmo que admitir que possa existir racismo, já que enseja distinção e, se existe distinção, podem existir superioridade e inferioridade. Talvez “sociedade brasileira” ou “cultura brasileira” tenham o mesmo sentido pretendido e não gerem polêmica.
Formulo, por fim, meus cumprimentos a Joper Padrão e o incentivo a perseverar na elaboração de artigos e textos igualmente interessantes!